A partir de maio de 2026, as empresas precisam se adequar às mudanças da NR-1 sobre saúde mental. Trata-se da Norma Regulamentadora n.º 1, que apresenta todas as diretrizes que garantem a saúde e o bem-estar dos trabalhadores.
As alterações nessa diretriz ditam que as organizações devem se preocupar com os riscos físicos e psicossociais, aqueles que podem causar complicações mentais nos profissionais, o que vêm se tornando um problema sério nos últimos anos.
Dados compartilhados pelo G1, por exemplo, afirmam que mais de 500 mil pessoas pediram afastamento do trabalho em 2025 devido a transtornos mentais, como ansiedade e depressão. Esse número foi 15% maior do que o do ano anterior, que já era o mais alto da última década.
No artigo a seguir, você entende o que é a NR-1, quais são os principais riscos psicossociais aos quais as empresas precisam ficar atentas e como se adequar às mudanças obrigatórias.
O que é a NR-1?
É a norma que estabelece as diretrizes de Saúde e Segurança no Trabalho (SST). O documento exige a implementação do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), que determina como as empresas podem identificar, categorizar e controlar fatores de risco, e do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), o plano de ação.
Na prática, serve para que as organizações identifiquem os fatores que podem adoecer os profissionais em longo prazo e causar o afastamento das atividades, como falta de ergonomia e exposição a elementos químicos.
A partir de maio de 2026, as empresas serão obrigadas a incluir os riscos psicossociais na NR-1 em seu PGR/GRO, como você confere a seguir.
O que são os riscos psicossociais na NR-1?
São fatores ligados ao ambiente de trabalho que podem prejudicar a saúde mental. No geral, a lista costuma incluir:
- sobrecarga de trabalho e/ou trocas frequentes de turno;
- jornadas muito extensas e/ou imprevisibilidade de escala;
- metas em excesso e/ou abusivas;
- assédio;
- falta de autonomia sobre a rotina e decisões;
- insegurança em relação à carreira;
- falta de comunicação interna e/ou problemas no relacionamento com os colegas;
- desequilíbrio entre vida pessoal e profissional.
A NR-1 não descreve os riscos diretamente, apenas apresenta diretrizes de controle e de mitigação dos efeitos negativos para os colaboradores. Esses problemas aparecem em outros documentos, como a NR-17 e o Manual da Organização Mundial da Saúde (OMS).
O que contribui para o surgimento desses riscos nas empresas?
O principal fator é a falta de organização na empresa, que pode prejudicar a divisão de escalas e turnos, causando o aumento da sobrecarga e de horas extras. Além disso, mudanças não comunicadas e pressão constante para aumentar a produtividade são causas frequentes de desgaste mental.
É importante ressaltar ainda que os fatores de risco não afetam apenas os trabalhadores com o adoecimento mental. Na verdade, as empresas que não se preocupam em mitigá-los podem sofrer com:
- altas taxas de absenteísmo (faltas injustificadas);
- afastamentos constantes, o que causa um desfalque nas equipes;
- baixo nível de engajamento e de satisfação;
- queda na produtividade organizacional;
- clima organizacional negativo;
- problemas para atrair e reter talentos.
Por esse motivo, garantir uma gestão eficaz dos riscos psicossociais é benéfico para todos e deve se tornar prioridade nas empresas que buscam ter um crescimento sustentável.
Quais são as mudanças da NR-1 para a saúde mental?
Com as alterações, as empresas são obrigadas a gerenciar os riscos psicossociais e implementar medidas para evitar os efeitos negativos sobre os trabalhadores. Neste cenário, é necessário monitorar o ambiente de trabalho em busca de fatores de risco, além de planejar formas de prevenir e corrigir problemas.
Também é obrigação das empresas monitorar as medidas para garantir que os resultados sejam satisfatórios.
É importante destacar que as mudanças da NR-1 para a saúde mental são válidas para todas as empresas que tenham funcionários contratados via CLT. Entretanto, microempreendedores individuais (MEIs) e negócios que apresentam baixo risco ocupacional não precisam elaborar o PGR.
Em todo caso, a adequação às mudanças é vantajosa para todas as organizações, e não apenas para aquelas com risco alto, principalmente porque o descumprimento das diretrizes pode acarretar advertências, multas e até ações judiciais.
Como se adequar às mudanças na NR-1?
O primeiro passo envolve o mapeamento dos riscos ocupacionais à saúde mental. Além disso, as empresas devem registrar todas as evidências em um documento padronizado e transformar os insights em um plano de ação viável e replicável. Por fim, é importante monitorar os indicadores de desempenho.
Confira detalhes desse passo a passo a seguir.
1. Mapear os riscos
O mapeamento de riscos consiste em identificar os fatores que podem ameaçar a saúde mental dos trabalhadores, como conflitos internos e alta carga de trabalho. Além de definir esses elementos, vale a pena categorizá-los conforme seu impacto para facilitar a elaboração do plano de ação.
A Nexti tem um checklist para mapeamento de riscos psicossociaisque facilita a adequação às mudanças na NR-1. Confira!
2. Registrar as evidências
O segundo passo é registrar as evidências de riscos para obter provas de cada situação e facilitar a aplicação de estratégias preventivas. Por exemplo, documentar quantas horas extras os trabalhadores costumam fazer por semana ou quando acontece um conflito entre colegas.
3. Criar um plano de ação
O plano de ação é um documento com o passo a passo do que deve ser feito, detalhando etapas, prazos, responsáveis e até o orçamento disponível para garantir a eficiência da iniciativa.
Todos os setores (da liderança ao RH) devem estar envolvidos no processo para estabelecer medidas de cuidados com a saúde mental. Por exemplo, políticas internas de prevenção ao desgaste mental que preveem a redução da carga de trabalho e o aumento da autonomia.
4. Monitorar os indicadores
Para concluir o passo a passo, é necessário monitorar os indicadores de desempenho para entender se o plano de ação foi eficiente ou se precisa de revisão. Geralmente, as métricas mais relevantes para a gestão da saúde mental são o número de afastamentos e os índices de engajamento e de satisfação.
Métricas como turnover (rotatividade) e absenteísmo também podem ser úteis, pois acompanham efeitos diretos do desgaste mental. Ao mesmo tempo, vale ainda solicitar feedbacks diretos sobre as políticas para entender a opinião dos trabalhadores.
Como a tecnologia facilita a adequação à NR-1 para saúde mental?
Um sistema integrado de controle organizacional é essencial porque facilita a gestão dos fatores que oferecem riscos psicossociais, particularmente ponto, escalas e banco de horas. A plataforma também permite acompanhar os atestados recebidos e categorizá-los conforme os motivos para afastamento, o que ajuda no mapeamento dos riscos.
Além disso, ferramentas como a Nexti contam com um recurso de criação de relatórios com base em informações coletadas em tempo real. Assim, você monitora dados de forma contínua, organiza as evidências e planeja as ações preventivas de forma centralizada.
Agende uma reunião com um dos nossos especialistas e veja como podemos ajudar sua empresa a ter mais controle sobre os riscos ocupacionais.
FAQ – Perguntas frequentes
Como registrar riscos psicossociais no PGR?
Identifique os fatores psicossociais que podem afetar a saúde dos colaboradores, avalie os riscos (classifique conforme a gravidade e descreva os possíveis efeitos) e monte um plano de ação (o que fazer para minimizar os riscos, com medidas práticas de prevenção, em curto e longo prazo).
Quais indicadores ajudam a acompanhar esses riscos?
Os mais importantes são as taxas de absenteísmo e de rotatividade (turnover), assim como os índices de afastamento por problemas relacionados à saúde mental (como ansiedade) e de produtividade organizacional. Também é necessário acompanhar métricas como a satisfação dos colaboradores e os feedbacks para avaliar as principais reclamações da equipe.





